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A Contribuição Teuta na Formação da Nação Brasileira

Fazendo um relato sobre a contribuição da imigração alemã para a formação da nação brasileira, fica bem claro, rapidamente, ao pesquisar publicações, o quanto já tem sido escrito, nas últimas décadas, a este respeito. Sob a expressão de “alemão”, por obséquio, deve ser entendido tudo o que diz respeito às regiões de fala alemã na Europa. É interessante que evidentemente somente bem pouco disso que se refere aos fatos relevantes e determinantes, de natureza histórica, econômica, cultural e sociológica, conseguiu fixar-se na consciência de um público maior, tanto naquele do Brasil como no dos países de fala alemã.

 

Aqueles que estão interessados em assuntos de relacionamento brasileiro-alemão ou nas contribuições da imigração alemã para a formação da nação brasileira inteira possuem tal conhecimento, portanto, apenas um círculo restrito.

 

Tudo de qualquer jeito não pode ser memorizado, portanto qual seria o motivo de escrever mais uma vez acerca disso? A gente não se transformaria num certo tipo meio esquisito? Isso no ambiente próprio profissional e particular, tratando de algo que “oficialmente” nem está despertando grande reconhecimento?

 

 

A resposta poderá ser dada por cada um dos leitores, neste tempo de velocidade de vida, de superficialidade, e, da parte oficial, tantas vezes sem indicação de valores, de orientação, e no qual apenas uma coisa parece ter importância: o dinheiro, o rendimento; tudo o mais, aquilo que não pode ser enquadrado nesta categoria, ou que pode ser transformado em valores monetários, parece ser supérfluo, segundo os critérios amplamente difundidos em nosso tempo.

 

Mas aqueles que fazem reflexões sobre as raízes de sua história, sobre o tempo presente e futuro, estes compatriotas com certeza estão interessados naquilo que certa parte da história brasileira multicultural, a saber, a participação da imigração alemã, lhes poderá transmitir também nos tempos de hoje, justamente por encontrar na grande mídia internacional tão pouco interesse. Portanto também publicações como este jornal, o Brasil-Post, têm tanta importância. São vozes num mundo de publicidade cada vez mais sincronizado e uniformizado que clamam muitas vezes de forma crítica, interrogativa e admoestadora, e em nosso caso específico ainda num momento que enriquece a realidade teuto-brasileira.

 

Como brasileiros de descendência alemã, filhos de imigrantes alemães, como alemães radicados há muito tempo no Brasil, ou como alemães interessados neste tema, tanto na Europa como em outra parte do mundo, muita gente está à procura duma parte da sua identidade. Também referente à identidade criada por alemães e seus descendentes produzida no Brasil, pode-se contar com um legado bem rico.

 

Um grande poeta alemão, certa vez, criou a sentença, dizendo que aquilo que foi herdado dos antepassados deve ser adquirido, para ser propriedade pessoal. Nada é estático, tudo está em transformação, cada um deve se auto examinar e desafiar. Orgulho próprio equivale à vaidade. Os dois são qualidades bem graves. Não vamos falar nem de uma e nem de outra nas considerações que seguem. Elas querem ressaltar coisas essenciais, tentando intermediar impulsos de pensamento para a dominação das tarefas futuras tão enormes que nos aguardam. Prestaremos atenção ao destaque do aspecto de formação da nação brasileira, destacando a contribuição dos teutos no maior país latino-americano, exatamente no sentido do eminente e inesquecível historiador Karl Heinz Oberacker Jr. Nisso não queremos esquecer a data de 25 de julho de 1824, a qual vale como ponto inicial importante da imigração de gente de fala alemã organizada durante décadas, desde inícios do século 19.

 

Porém a presença alemã no Brasil começa bem mais cedo. Vamos adentrar a época do descobrimento, fazendo então uma curva ou volta até o tempo presente. A “viagem” pode começar:

 

  • Já desde 1489 existia em Lisboa, Portugal, uma guarnição militar permanente com 35 artilheiros alemães, ou “atiradores de carabina”, os quais possuíam privilégios especiais e participavam de todas as viagens grandes de descobrimento dos portugueses. Tais alemães atingiram o Brasil com a frota de Cabral. Mas eles não foram as únicas pessoas da Alemanha que desembarcaram em 22 de abril de 1500 com Pedro Álvares Cabral na baía de Porto Seguro, na Bahia. O conselheiro, náutico e médico mestre Johann (de sobrenome provavelmente Emenelaus ou Emmerich) estava junto lá, bem como o cozinheiro alemão de Cabral. Mestre Johann, ou João, escreveu em 28 de maio de 1500, dias antes de Pero Vaz de Caminha, uma carta ao Rei Emanuel I na qual ele descreveu, entre outras coisas, o “Cruzeiro do Sul”, explicando-o de modo científico. Assim o relatam os historiadores portugueses Frazão de Vasconcellos e Pedro Calmon.
  • Os primeiros alemães que se radicaram de modo planejado no Brasil chegaram já em 1532 com Martim Afonso de Sousa até São Vicente. Segundo registro no livro de bordo, eles eram enumerados em primeiro lugar, ao lado de italianos e de franceses. Assim eles participaram, entre outros, da fundação da primeira colônia agrícola do Brasil.
  • Nunca esquecido é o Hans Staden, o qual nos deixou em 1557 os primeiros documentos sobre a fauna e a flora, bem como sobre os povos indígenas que viviam na primeira metade do século 16 no Brasil. As primeiras imagens e o primeiro livro sobre o Brasil e seus aborígines são deste soldado mercenário de Homberg, na margem do rio Efze, província de Hessen. No filme produzido faz algum tempo por Luis Alberto Pereira, com o nome de “Hans Staden”, é chamada a atenção, de forma impressionante, sobre a vida do mesmo no Brasil, naquela época histórica.
  • Ulrich Schmiedel de Straubing, Baviera, prestou igualmente uma colaboração valiosa à história inicial do Brasil; ele tem importância igual para os países do Rio da Prata como Hans Staden para o Brasil. O livro, editado em 1567 em Frankfurt/Meno, “História verdadeira e agradável de algumas paisagens nobres e indígenas” possui um valor elevado como obra sobre as origens e condições da época colonial primitiva no Brasil.
  • Heliodoro Eobano Hesse deve ser considerado co-conquistador e cofundador do Rio de Janeiro. Ele tinha sido em São Vicente gerente comercial da filial de Adorno, tendo ali conhecido também o Hans Staden. Como aliado de Estácio de Sá, ele participou dos combates contra os franceses no Rio de Janeiro, nos quais Estácio de Sá foi morto. Porém, Hesse se tornou, depois da vitória em 20 de janeiro de 1567, cofundador da segunda São Sebastião do Rio de Janeiro.
  • A partir de 1535 aconteceu a imigração de famílias alemãs de comerciantes e armadores de navios ao Brasil. Assim chegou Arnual Von Holland, patriarca da família Holanda, ele se tornou plantador de cana de açúcar e proprietário de engenhos próximos de Olinda, Pernambuco. Em 1545 encontra-se Seebald Lins no Brasil, o patriarca da família Lins. Operou como armador de navios e comerciante de exportação de açúcar, madeira de pau-brasil e de algodão de Pernambuco. A família comerciante dos Hutter também emigrou naquele tempo para o Brasil. O seu sobrenome traduzido para o português transformou-se em “Dutra”.
  • Por volta de 1600 aconteceu a primeira expedição bandeirante ao interior de São Paulo. Em 1601 ocorreu uma expedição sob o comando do alemão Jost ten Glimmer e do bandeirante alemão Pedro Taques.
  • Moritz Graf von Nassau-Siegen-Dillenburg desembarcou em 1637 em Recife, Pernambuco, enviado pela Companhia Holandesa da Índia Ocidental. Então foi hasteada também a bandeira do Império Sacro Romano da Nação Alemã, do qual os Países Baixos ainda faziam parte, formalmente, até 1648. Foi ele que transformou Recife na cidade mais moderna de toda a América; os cientistas e pesquisadores alemães que ele trouxe consigo forneceram à Europa as primeiras informações científicas sobre o Brasil e sua população. A nação brasileira deve aos mesmos a primeira contribuição básica para o seu desenvolvimento espiritual/científico, e com isso uma autoestima nacional. As características de Mauricio de Nassau foram tolerância política, étnica e religiosa (também a primeira sinagoga de toda a América, recentemente redescoberta, fora construída naquele tempo em Recife). Houve incentivas a ciência e arte, começou uma “época dourada” para o nordeste brasileiro. Isso até a volta dele à sua pátria alemã, em 1644.
  • Em 1648 Georg Markgraf, o primeiro estudioso das ciências naturais, do séquito de Moritz v. Nassau, publicou a sua obra “História Naturalis”.
  • Em 1660 chegou o monge beneditino Richard von Pilar ao Rio de Janeiro. Ele é considerado o fundador da arte de pintura brasileira. Peritos de arte encontram nas obras dele “um leve traço da antiga grande escola de pintura de Colônia”.
  • O primeiro navio brasileiro, uma fragata, foi construído em 1668 no Maranhão, no estaleiro do Kasper Werneck e Simão Ferreira Coimbra.
  • Eleodor Ebano, um neto de Heliodor Eoban Hesse, estará fundando Nossa Senhora da Luz, mais tarde Curitiba, elevado em 1668 à categoria de vila. Ele é tido como conquistador do Paraná.
  • Em 1684 a população de São Luiz, Maranhão, revoltou-se pela primeira vez contra a opressão portuguesa; ela foi chefiada pelo plantador e vereador alemão Emanuel Beckmann (Manuel Bequimão).
  • Em 1685 o trabalho jesuíta no Brasil atingiu o seu apogeu. Jesuítas alemães construíram o “Estado do Mayna” no Rio Amazonas superior. Em 1690, Johann Philipp Bettendorf publicou sua “Crônica” a respeito do “Estado Mayna”. Em 1696 apareceu a descrição da viagem de Anton Sepp von und zu Rechegg aos índios Guaranis no trilátero dos países Brasil-Paraguai-Argentina.
  • O padre Eusebius Nierenberg publicou a primeira obra na língua guarani. Em 1705 ele construiu nas Missões rio-grandenses, em São Miguel, a primeira impressora, resultando no primeiro livro em solo brasileiro. Mais ou menos a metade dos religiosos jesuítas que atuavam em solo sul-americano até a proibição desta ordem, tinha origem na região de fala alemã.
    Em 1707 o padre Samuel Fritz, de Trautenau, nos Sudetos, confeccionou o primeiro mapa do Amazonas. Esta obra do jesuíta alemão foi aproveitada ainda até o início do século 20 por causa de sua exatidão insuperável.
  • Em 1676, Johann Friedrich Böhm tornou-se o comandante supremo de todas as tropas no “Estado do Brasil”. Foi introduzida a maneira prussiana de exército. Ele fora designado como “libertador do Rio Grande do Sul”, pois como oficial ele defendeu o sul do Brasil com êxito contra os espanhóis. Na Guerra dos Sete Anos ele havia conseguido as suas experiências militares sob o comando do Conde de Lippe, um aliado de Frederico o Grande, e tais experiências lhe foram proveitosas agora no Brasil. Ele é considerado o fundador do exército brasileiro.
  • Em 1808 a corte portuguesa fugiu diante de Napoleão para o Rio de Janeiro, no Brasil. Entre os 15.000 funcionários e oficiais, cientistas e especialistas de todos os gêneros, inclusive artistas, também havia gente do espaço linguístico alemão. A Academia Militar foi fundada em 1810 por Wilhelm Ludwig Barão von Eschwege, e por Francisco Borja Garção Stockler.
  • Von Eschwege inaugurou também em 1812 a “Fábrica Patriótica”, a forja siderúrgica de Congonhas do Campo, em Minas Gerais. Ele está sendo considerado o fundador da indústria pesada brasileira, e ainda como o empresário industrial mais importante no Brasil no começo do século 19. E ainda como “Patriarca da Geologia Brasileira”. Em 1814 Daniel Peter Müller construiu a primeira fábrica de armas no país em São Paulo.
  • Maximilian Príncipe de Wied-Neuwied (Max von Braunsberg) chegou em 1915 ao Brasil. Pesquisou animais e plantas, no interior de Minas Gerais, estudou as línguas, os usos e costumes das tribos ali radicadas, editando a primeira monografia de um povo do Brasil, a saber, a dos índios botocudos.
  • Em 1816 veio Sigismund Ritter von Neukomm ao Brasil; ele está sendo considerado pioneiro das “modinhas” brasileiras em concertos, exercendo grande influência como professor de música.
  • Com o casamento à distância da arquiduquesa Leopoldina de Habsburg com o príncipe herdeiro Pedro de Bragança em 1817, iniciou-se um capítulo novo na história brasileiro-alemã. O significado de Leopoldina, que se autodenominava “princesa alemã”, não pode ser avaliada a não ser no grau mais elevado. A nação brasileira deve a ela a sua independência de Portugal. Sob a presidência dela foi tomada a decisão unânime do Conselho de Estado; a carta dela a Pedro I determinava o último passo para a autonomia estatal do Brasil. Sem dúvida foi ela a figura feminina mais destacada da história brasileira.
  • A bandeira brasileira é expressão da feliz união de duas dinastias. A cor verde procede da casa dos Bragança, de Dom Pedro. A amarela da casa Lothringen-Habsburg, da qual era procedente o pai de Leopoldina, o imperador alemão Franz II, mais tarde imperador da Áustria, Franz I. Como símbolos da independência, alcançada pelos monarcas brasileiros, permanecem amarelo e verde como as cores nacionais também na República. Por obséquio, em quais escolas do Brasil isto está sendo ensinado?
  • Em 1819 foi fundada a cidade de Nova Friburgo por suíços-alemães, no estado do Rio de Janeiro. Com Friedrich Sauerbronn, primeiro pastor evangélico no Brasil, chegou até lá, em 1824, um grupo de 300 alemães da província de Rheinhessen.
  • A colônia alemã “São Leopoldo” foi fundada em 25 de julho de 1824 no Rio Grande do Sul. Depois disso, com incentivo da coroa, foram radicados durante muitos decênios, pessoas das regiões de fala alemã da Europa principalmente nos estados sulinos brasileiros. Começa assim uma nova forma de colonização, bem diferente da maneira de economia dos latifúndios.
  • Em 1825 o médico, estudioso das ciências naturais, Georg Heinrich Duque de Langsdorff começou a sua expedição pela mata virgem do Mato Grosso.
  • Karl Friedrich Philipp von Martius publicou, a partir de 1840, sua “Flora Brasiliensis”, a mais importante obra botânica de todos os tempos. O seu companheiro e acompanhante fiel durante a permanência dele no Brasil, desde 1817, foi o zoólogo Johann Baptist von Spix.
  • Em 1850 o farmacêutico alemão e maçom da ordem superior de maçonaria, Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, fundou em Santa Catarina a cidade de Blumenau.
  • Em 1866 aconteceu, durante a guerra do Paraguai, a maior batalha, a das margens do Tuiuti, com a vitória dos aliados Brasil, Argentina e Uruguai, que foi alcançada especialmente através da “bateria alemã de artilharia”. Anton Ludwig von Hoonholtz, barão de Tefé, ficou com a designação “Herói da Guerra do Paraguai”. A vitória definitiva foi conseguida em 1870 pela atuação do marido, de descendência alemã, da Princesa Herdeira Isabel, Gaston von Orleans, o Conde d’Eu.
  • O brasão da República do Brasil, as chamadas armas do Brasil, é um esboço do engenheiro alemão Arthur Sauer. Ele o confeccionou em 1889, por ordem de seu amigo, o marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente da República nova e também Grão-mestre de maçonaria do Grão-Oriente. Como é regra na heráldica, o brasão brasileiro é ao mesmo tempo simples mas de significado simbólico bem acentuado. E ainda hoje ele é um dos símbolos nacionais mais sagrados dos brasileiros.

 

É impossível relacionar a imensidão de personalidades e de fatos relevantes neste ensaio relativamente bem resumido, os quais foram decisivos até a formação da República do Brasil. Esta relação por itens e pontos é finalizada de propósito com a ocorrência importante para a história moderna do país, pois é relativamente mais simples lembrar-se de fatos que datam de, no máximo, cem anos. Para dizer isso com as palavras de Karl Heinz Oberacker Jr: ”Pessoal alemão contribuiu assim de maneira destacada para a circunstância deste espaço, dentro do qual no decurso de séculos deveria surgir a nação brasileira, ser incluído na abrangência dos conhecimentos da Europa. A nação brasileira deve agradecer a tal abrangência, em última análise, a sua existência em geral. E a Europa, e não somente Portugal, forneceu a esta nação as fundamentações básicas da vida, pois entre os primeiros colonizadores que se radicaram na América do Sul portuguesa, encontravam-se, ao lado de portugueses, ainda membros outros povos e nem por último, também alemães, os quais, no percurso de séculos até os dias de hoje, tiveram um papel importante na história do país”.

 

Economia

Ao contemplar a história brasileira, temos que mencionar neste lugar o papel da economia alemã. Como já foi evidenciado em cada um dos itens, fatores econômicos e de industrialização contribuíram de maneira decisiva desde o começo para o desenvolvimento do país. Hoje, quando já passamos para o novo milênio, podemos encontrar 1200 empresas de origem alemã nessa terra, quase todas radicadas nas regiões do sudeste e do sul. São Paulo é, segundo o número de empresas de origem alemã ali estabelecidas, a maior cidade industrial alemã no mundo inteiro. Há 86 anos existem as câmaras de comércio e indústria, que possuem, em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, 900 firmas associadas. Elas estão se dedicando aos assuntos e às atividades da economia brasileiro-alemã; com pontos preferências para o comércio exterior, formação profissional e trabalhos de publicidade. Oferecem uma série de serviços. As empresas de origem alemã apresentam investimentos diretos de US$ 16 bilhões. Tradicionalmente estão concentradas no ramo industrial, dando trabalho e emprego a 250.000 colaboradores. Neste caso não estamos incluindo as atividades econômicas da Áustria e da Suíça no Brasil.

 

Dr. Klaus Wilhelm Lege, vice-presidente na gerência da Câmara de Comércio Exterior São Paulo e editor da obra recém-lançada “A história alemã brasileira”, está subdividindo a contribuição alemã à industrialização brasileira no século 20 como segue:

 

  1. Anos 40 – Contribuição indireta da Alemanha para uma ignição inicial de um impulso autônomo de industrialização (“aciaria”)
  2. Anos 50 – Contribuição alemã como motor da industrialização (indústria automobilística).
  3. Anos 70 – Contribuição alemã ao milagre econômico brasileiro, (empresas de porte médio).

 

Empresas isoladas de alemães e de descendentes de alemães conquistaram, desde o fim do século 19, tanto o Brasil, como em parte também os mercados mundiais, entre eles Garoto (chocolate), Gerdau (aço), Hering (têxteis), Melhoramentos (fabricação de papel etc), Odebrecht (construção, química etc) e Schmidt (porcelana), o seu espaço.

 

Depois da Segunda Guerra Mundial em 1949 a empresa Mannesmann conseguiu fazer o primeiro grande investimento no Brasil. Em Belo Horizonte foram construídas uma aciaria e fábrica de tubos, que entraram em funcionamento no ano de 1954. Isso foi a base para o abastecimento de muitas indústrias. Depois da assinatura do tratado comercial de 1950, ficou evidente que a procura de maquinário e de implementos, de produtos de aço e ferro e a de produtos químicos havia crescido em escala bem maior do que a das matérias primas e dos gêneros alimentícios, exportados pelo Brasil. Por causa disso os conglomerados de ponta da economia alemã recomendaram montar tal produção no Brasil. Assim foram fundadas muitas empresas no Brasil, em 1953, entre elas Volkswagen do Brasil, Mercedes-Benz do Brasil, MWM, Degussa, Ferrostaal e outras. Com isso se deu início à “Revolução Industrial” do Brasil. até o final de 1957 chegaram ainda mais 130 empresas e participações alemãs; entre as mesmas BASF e Henkel. Empresas pioneiras como Bayer, Hoechst e Siemens já estiveram desde o século 19 no Brasil, possuindo estabelecimentos em atividade aqui. Assim estabelecimentos brasileiros com capital alemão foram motor para a industrialização. Com o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira foi iniciada a partir de 1955 a nova fase de desenvolvimento; ele procurou investimentos do exterior para aplicação no país, iniciando ainda a construção de Brasília. A produção industrial do país cresceu entre 1955 e 1960 370%. As bases para a indústria brasileira de bens de capital foram criadas. No ano de 1964 aconteceram distúrbios políticos com greves; os militares assumiram o poder. O regime militar instalou uma reestruturação profunda da economia. Foram abolidas as determinações que afugentavam o capital do exterior, herdadas de governos anteriores. O almirante, de origem germânica, Augusto Hamann Rademaker Grünewald incentivou tal política de amizade econômica. Em 1969 ele foi, de maneira passageira, presidente do estado brasileiro, e mais tarde seu vice-presidente. O descendente de alemães, Ernesto Geisel, foi presidente da República de 1974 até 1979.

 

O intercâmbio de mercadorias entre o Brasil e a Alemanha duplicou entre 1960 e 1970. Em 1971 foi organizada em São Paulo a até agora maior exposição industrial alemã. Aumentaram bastante os investimentos das empresas de médio porte, especialmente com vistas à política oficial de substituição das importações. Personalidades da vida econômica brasileiro-alemã como Ernst Günther Lipkau e Wolfgang Sauer laboravam naquela época como executivos e consultores. Apesar da crise mundial do óleo de 1973 perdurou a confiança estrangeira no Brasil, acontecendo continuamente mais e maiores investimentos. Entre 1975 e 1991 a hidrelétrica do Itaipu se tornou a maior obra de construção do mundo inteiro, com participação decisiva de empresas alemãs como Siemens e Voith.

 

Mesmo sendo as décadas dos anos 80 e 90 consideradas como “décadas perdidas”, elas trouxeram consigo, apesar disso, uma estabilização das estruturas democráticas, com consolidação do parlamentarismo. O presidente, de origem alemã, Fernando Collor, neto do primeiro ministro brasileiro do trabalho, Lindolf Leopold Koller-Boeckel, introduziu em seu curto período de mandato (1990 – 1992) a modernização da estrutura econômica. Nisso podemos enumerar o alívio no atendimento do capital estrangeiro investido, melhor manipulação das marcas e dos patentes estrangeiros, bem como o fim das reservas de mercado, especialmente as de informática. Com isso muitos empresários brasileiros conseguiram tornarem-se competitivos também internacionalmente. Brasileiro-alemães construíram nos últimos tempos também filiais de empresas originalmente teuto-brasileiras na Alemanha. Entre estes temos Theodor Wille, Aliança, Citrosuco, Hering, Mangels, Odebrecht, Tupy, Varig e outros.

 

Como podemos ver, a história teuto-brasileira está cheia de fatos impressionantes. A terra de imigração, o Brasil, estendeu e estende a mão a todos aqueles que pretendem contribuir positivamente para o seu desenvolvimento. De modo algum podemos compreender, qual seria o motivo pelo qual a maioria dos brasileiros ainda hoje nada ou quase nada está sabendo a respeito da contribuição de seus concidadãos alemães ou de descendência alemã para a construção de seu país. Mesmo descendentes de alemães muitas vezes nada estão sabendo sobre a presença importante de seus antepassados na história primitiva do Brasil. Nas escolas e mesmo nas universidades o ensino a tal respeito se limita a coisas rudimentares. Em geral a transmissão de conhecimentos está se limitando à presença de elementos germânicos no sul brasileiro, a partir do começo do século 19. A historiografia brasileira está costumeiramente orientada puramente para o lado luso. Poderia ser interessante, com toda certeza, para entidades culturais e representações diplomáticas, chamar a atenção de repartições públicas brasileiras de ensino, para que seja feita a inclusão da participação alemã na construção do país, nos livros didáticos de história das escolas. Reconhecimento e compreensão despertam simpatia, com efeitos inclusive no campo econômico. Depois de Karl Heinz Oberacker Jr. ter elaborado em suas obras básicas os fundamentos para este tema, são as iniciativas como as de Ernst Günther Lipkau com sua obra “Ponte entre o Brasil e a Alemanha” (editado por ocasião dos 75 anos de existência da Câmara de Comércio Exterior São Paulo) e de Dr. Lege com seu livro “A Historia Alemã do Brasil”, elaborado com base no manuscrito de Manfred Buschny, que podem dar novos impulsos de meditação aos brasileiros e estudiosos de qualquer origem, bem como aos demais interessados em geral.

 

Os milhares de alunos em escolas de ensino alemão poderão no futuro, ao lado de estudantes universitários, ser engajados em trabalhos de pesquisa para o tema “Brasil-Alemanha”. Bem como estudantes interessados nos países de língua alemã na Europa. Para isso deveriam ser oferecidos anualmente prêmios específicos nos campos de cultura e de economia. Uma comissão superior sob presidência do encarregado principal de cultura brasileiro-alemã poderia ocupar-se disso. Na juventude reside o futuro, vale conquistá-la para estas tarefas.

 

Desde Hans Staden até Hans Donner, de Moritz von Nassau, passando por Samuel Fritz, Leopoldine von Habsburg, Gisele Bündchen e Gustavo Kürten – o Brasil indicou para muita gente os caminhos, vias que são únicas e que até conseguiram ser assumidas pela história universal. A formação do Brasil ainda não acabou. A dinâmica do país exige constantemente adaptação e ajuste, empreendimento e coragem. Neste dia 25 de julho nos lembramos não somente daqueles que existiram antes de nós neste globo terrestre, mas olhamos para frente. O legado dos antepassados poderá ser para nós uma valiosa orientação.

 

(Artigo traduzido de autoria de Dieter Böhnke, publicado no semanário Brasil-Post/São Paulo, 20.07.2001. Tradutor: Georg K.A.Fuchs/Belo Horizonte).

 

Leia mais sobre esse assunto:

A história da Alemanha

Razões para incentivar a imigração alemã no Brasil

1 COMENTÁRIO
  • Wolf
    março 2, 2019

    Bravo, parabéns pelo site, pela pesquisa e texto

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