Pelo que eu me lembro, raramente na vida vi Osvino Dienstmann, meu pai, de calça. Penso que ele estava sempre de bombacha, isso sim: em casa, no trabalho, na venda, numa festa, em viagem – inclusive em avião, e de lenço no pescoço e botas. Velhas fotos mostram “Seu” Osvino de bombachas e chapelão numa churrasqueada na Linha Boa Vista Fundos no início da década de 1950, e no cavalo branco em Cidade Gaúcha lá por 1962, por exemplo. Claro, tem também imagens dele não-bombachudo, mas aí ele ou tinha apenas cinco anos, ou estava no exército com roupa de soldado no Palácio do Catete, ou de terno numa comportada foto de família. No resto, daria para desconfiar que meu pai nunca teve calças, ou definitivamente não gostava delas.
Este é um valor incomparável das antigas fotos (além do esmero técnico com que foram produzidas e que as faz resistirem mesmo quando centenárias): elas confirmam a memória – ou corrigem. Olhando bem, dá para ouvir de novo até o jeito de falar da pessoa que conhecemos, a sua risada, lembrar as suas alegrias ou tristezas, seus medos ou sonhos, ou simplesmente olhar com carinho e respeito de novo ou pela primeira vez para quem pouco ou nunca vimos antes. Por outro lado, há a chance das correções: eu tinha desde a infância a imagem do meu pai como um cara imenso, desde sempre velho, sempre com um palheiro no canto da boca, e as fotos ao contrário trazem um pai jovem – mas também que principalmente no exército os grandões eram os companheiros.